30 de julho de 2014

Soneto do século XVII





Este soneto, obra prima do trocadilho, foi escrito no século XVII por António Fonseca Soares (Frei António das Chagas).


CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

10 comentários:

  1. Conclusão: devemos viver cada dia na sua plenitude!

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    1. Exactamente, Catarina.
      Um dia de cada vez.
      Sempre em pleno.

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  2. Lindíssimo.
    Aproveitemos pois, o dia.
    Beijinho. :))

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    1. É isso mesmo, ana.
      Aproveitá-los todos.
      Um a um.
      Beijinhos

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  3. ~
    ~ ~ Histórico, lendário ou brincadeira, é muito interessante!

    ~ ~ Fazer algumas continhas, não cansa ninguém e proporciona muita paz e sossego.

    ~ ~ Que as contas nunca nos pesem muito!

    ~ ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~ ~

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    1. E sem fazer muitas contas, vivamos intensamente todos os dias, Majo.
      Beijinhos

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  4. O tempo é a coisa mais preciosa que temos na vida mas, curiosamente, é aquela que mais desperdiçamos.

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  5. Bonito soneto. Antes que acabe o tempo ]e tempo de...

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    1. Não conhecia o autor nem o poema, Agostinho.
      Excepcional!

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