5 de junho de 2014

E, aos costumes, dizem....nada!


Ensinaram-me há muitos anos que não é de bom tom fazer referência às especificidades de Macau.
Disse-o então, reafirmo-o agora com redobrada convicção - pode não ser de bom tom, mas é inevitável.
Uma dessas especificidades, que para mim ainda permanece envolta numa certa aura de mistério, é a sistemática convocação de conferências de imprensa por parte de entidades da Administração para dizerem que não vão dizer nada.
Porque ainda não é o momento adequado para revelar seja o que for, porque se trata de informação confidencial e que não pode ser revelada, porque ainda não foi tomada uma decisão, porque não querem dizer nada, mil e uma razões para convocar a imprensa e permanecer em sepulcral silêncio.
Se é essa a intenção, e se se quer oficialmente declarar a mesma, porque é que não se envia um comunicado à imprensa através do Gabinete de Comunicação Social?
Não faria mais sentido?!
Pois, deve mesmo ser uma das tais especificidades.
E esta é das tais que julgo ser mesmo muito específica.

22 comentários:

  1. Pois é amigo...acho que cartilha da porcaria é igual em todo o lado!

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    1. Fatyly,
      Eu nunca vi fazer isto em Portugal.
      E aqui é uma constante - convocam a imprensa e depois dizem-lhes que os convocaram para dizerem que não vão dizer nada.
      Esta malta não tem estaleca, não tem cultura política, não sabe lidar com a imprensa nem com o público.

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  2. Ora aqui está uma crónica perfeitamente elucidativa: o nada (pode( ser tudo.

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    1. O mais curioso é que, muitas vezes, dizem nada (é segredo) acerca de coisas que até o periquito que eu não tenho sabe, Agostinho

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  3. O costume, meu caro, o costume!

    Aquele abraço, Pedro.

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    1. Por aqui vai sendo, Ricardo.
      Eu acho que, se fosse jornalista, ralhava com estes gajos.
      Chamaram-me aqui para quê??!!
      Aquele abraço!!

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  4. Posso estar a ser muito radical, mas se isso já é hábito que tal os jornais combinarem entre si e não enviarem ninguém à pseudo-conferência de imprensa?

    Aqui também já se tornou um pouco moda declarações sem direito a perguntas por parte d@s jornalistas presentes!

    Tanto num caso como noutro, o Pedro tem razão: enviavam um comunicado e isso seria suficiente.

    Tudo de bom :)

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    1. Já ouvi alguns jornalistas, individualmente, a falar nessa possibilidade, São.
      Será possível levar esse intento avante enquanto classe?
      Tenho sérias dúvidas.
      Mas era muito bem feito.
      Tudo de bom também :))

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    2. Também duvido disso, mas talvez fosse uma maneira de inverter a situação.

      É que assim não deixa de haver uma certa cumplicidade por parte de quem se presta à situação, não é?

      Quando o partido nazi grego ganhou expressão eleitoral, os jornalistas na sala onde iria decorrer a conferência de imprensa do respectivo presidente foram , antes, avisados de que se deveriam levantar à sua chegada .

      O único que não acatou a ordem foi agarrado e expulso . Quanto a mim, acho vergonhoso duas coisas: os jornalistas terem obedecido e não saírem imediatamente em solidariedade com o colega!!

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    3. Inteiramente de acordo, São.
      Pode ser que, um destes dias, tenhamos por aqui uma reacção desse tipo.
      Porque, em boa verdade, os próprios jornalistas já começam a perder a paciência.

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  5. ~ ~ ~ M i s t é r i o ! ~ ~ ~

    ~ Será assim-- não digam nada, mas falem de nós?!

    ~ "Em Roma sê romano"-- há que respeitar os bons tons.

    ~ ~ ~ ll;))

    ~ ~ ~ Votos de boas cumplicidades e amizades. ~ ~ ~

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    1. Mas é mesmo muito por aí, Majo - uma vontade enorme de aparecer, de se mostrar, e de depois dizer que até se esteve numa conferência de imprensa quando confrontados com a falta de informação.
      Faz algum sentido?

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  6. Faz-me lembrar um certo governo cujo 'primeiro' tem por hábito convocar conselhos de ministros para domingos e de onde, largas horas depois, nada sai.
    E quando algum ministro diz algo, percebendo que no dia seguinte verá o 'primeiro' dizer o contrário, ou entra mosca ou sai asneira.

    No entanto, o que se passa por Macau é 'sui generis'.

    Aquela abraço, Pedro.

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    1. Ainda hoje comentava com uma conhecida jornalista aqui de Macau, António -se eu fosse jornalista aqui acho que não era capaz de me conter sem chamar uma meia dúzia de coisas feias a estes tipos que fazem os jornalistas parecer criados ao serviço deles.
      Aquele abraço!

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  7. Lá está ! Mentalidades e culturas orientais ! :)))

    Sempre me fez muita confusão essa frase : "e aos costumes disse nada" ! rsrs

    Abraço ! :))
    .

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    1. Mas é que não dizem NADA mesmo, Rui.
      Dá vontade de os mandar à m.....fava.
      Aquele abraço!

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  8. Caro Amigo Pedro Coimbra!
    O mais desalentador neste fato, que você trouxe à baila, é constatar que quando dizem algo nunca é o que desejaríamos ouvir.
    Caloroso abraço! Saudações silenciosas!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver

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    1. Nestas supostas conferências de imprensa nem isso dizem, Amigo João Paulo de Oliveira.
      Insisto, não dizem mesmo NADA.
      Grande abraço!

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  9. por cá fazer uma coisa parecida mas, pior:

    - Convocam conferências de imprensa para dizer asneiras

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    1. Pelo menos dizem alguma coisa, Tétisq :))
      Verdade seja dita que, nas poucas conferências de imprensa em que aqui falam, é com cada bacorada!!

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  10. Para quê convocar?!
    Boa sexta-feira!
    Mor

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    1. Eu gostava de saber a resposta, Mor.
      E gostava de ter a paciência que têm os jornalistas para aturar estes cretinos.
      Boa sexta-feira e bom fim-de-semana

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