28 de maio de 2014

ALEIXO SEMPRE ACTUAL


Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.

Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.

Esses por quem não te interessas
produzem quanto consomes:
vivem das tuas promessas
ganhando o pão que tu comes.

Não me deem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!

Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme,
quando ele acordar, acaba.

António Aleixo

16 comentários:

  1. Recordo-me de todas estas quadras.
    AA era um homem com muito conhecimento da natureza humana.
    : )

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    1. As quadras do Aleixo não perdem actualidade, Catarina.
      E hoje até me ajudam a comentar a situação política em Macau.

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  2. ~ Fico sempre comovida quando leio António Aleixo, pela pobreza extrema em que vivia o poeta e sua família, carências que motivaram o seu falecimento aos cinquenta anos, por tuberculose.
    ~ Apesar das boas amizades, viveu em tempos muito difíceis, entre as duas guerras mundiais.

    ~ As suas quadras eloquentssimas, algumas hilariantes, continuam a ser admiradas por gerações e gerações de portugueses.
    (Será que os familiares recebem direitos de autor?)

    ~ ~ ~ Uma ótima ideia, esta homenagem.

    ~ ~ ~ ~ ~Beijinhos. ~ ~ ~ ~ ~

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    1. Uma homenagem e uma alavanca para o que queria escrever a seguir, Majo.
      A sabedoria do Aleixo, na sua simplicidade, não cansa de nos surpreender.
      Beijinhos

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  3. Justa homenagem ; Pedro, a um homem que se tivesse tido oportunidade de estudar seria brilhante .

    Melhor, seria ainda mais brilhante e a um outro nível.

    Qualquer ads quadras é profunda , mas destaco a terceira, porque o desinteresse das pessoas favorece exactamente quem as prejudica e corresponde ao que pretendem _ ter as mãos livres para fazerem tudo sem nenhum entrava por parte de quem é prejudicado.

    Por isso discordo com quem acha que não votando reolsve seja o que seja.

    Já tenho votado em branco e inutilizado o boletim, mas jamais deixarei de votar. Além de tudo o mais, já me sobrou a Ditadura, que me roubou esse direito por exclusiva discriminação sexual!

    Tudo de bom

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    1. São,
      O Aleixo é tão actual e tão universal que deu o mote para o post que hoje queria escrever acerca da situação política em Macau.

      Insisto que a abstenção é uma forma de expressão, São.
      Uma forma de dizer que, todas as propostas que me são apresentadas, não me motivam a sequer votar em branco ou nulo.
      Nisso, sou muito George Carlin.

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  4. E quando acorda o povo outra vez?!...

    Grande a sabedoria popular! bela lembrança, amigo Pedro!

    Beijinhos

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    1. Aqui está a acordar, Graça.
      E em força!
      Ainda por cima, uma grande maioria desta malta é malta muito jovem.
      Beijinhos

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  5. O povo adormece facilmente... e tem um sono muito pesado.

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  6. Limito-me a repetir o que escrevi no post anterior...

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    1. Simples e muito belo, ana.
      Características típicas do poeta António Aleixo.
      Beijinhos

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  8. Traduzem a verdade sem rodriguinhos, Pedro.

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    1. Os poemas do Aleixo nunca cansam, Agostinho.
      E encerram aquele saber popular que nunca tem fim.

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