26 de fevereiro de 2014

O que pensam os católicos sobre a Igreja? (ANSELMO BORGES)



1- A Bendixen & Amandi realizou, entre Dezembro de 2013 e Janeiro de 2014, com 12 038 fiéis adultos de 12 países maioritariamente católicos dos cinco continentes, para a Univisión, a principal televisão em espanhol dos Estados Unidos, uma sondagem sobre temas importantes na e para a Igreja. Fiabilidade: 95%.

Alguns resultados, com dissonâncias entre a doutrina e a opinião e vivência dos fiéis. a) Anticonceptivos: 78% a favor; 19% contra; 3% não responderam. b) Ordenação sacerdotal das mulheres: 45% a favor; 51% contra; 4% não responderam. c) Casamento dos padres: 50% sim; 47% não; 3% não responderam. d) Aborto: 8% deve permitir-se sempre; 65% nalguns casos; 33% nunca; 2% não responderam. e) Quanto ao casamento homossexual, há acordo com a doutrina: 66% contra; 30% a favor; não responderam 4%. f) Como avalia o trabalho do Papa Francisco? 41% excelente; 46% bom; 5% medíocre; 1% mau; 7% não responderam.

2- "Agora, o Papa Francisco, no confronto com os reaccionários da Cúria, pode apelar para as respostas da maioria dos fiéis sobre temas tão importantes. O Papa emérito Bento XVI escreveu-me há pouco, a mim eterno rebelde, uma carta afectuosa na qual mostra empenho em apoiar Francisco, esperando que ele tenha todo o êxito - "a minha única e última tarefa é apoiar Francisco", escreve." Quem isto revelou foi Hans Küng, o famoso teólogo crítico, condenado por João Paulo II e um dos poucos peritos do Vaticano II vivos, numa entrevista ao La Reppublica, no dia 10 deste mês, sobre a sondagem, na qual é manifesta a distância entre a Igreja oficial e os fiéis.

Para ele, o mais importante nela é a maioria esmagadora de vozes favoráveis a Francisco, que também já lhe escreveu pessoalmente: 87% dos católicos interrogados em todo o mundo e 99% dos italianos estão de acordo com ele. É "um pequeno milagre" Francisco ter conseguido, em menos de um ano, inverter a tendência dos fiéis e não só quanto à crise de confiança na Igreja.

Interrogado sobre o significado dos resultados da sondagem para a hierarquia, Küng dá uma resposta sensata: "Para os bispos preparados para reformas, e eles existem em todo o mundo, eles significam um grande encorajamento. Quanto aos conservadores, que têm as suas reservas: deveriam reflectir sobre as suas reservas e escutar os argumentos dos renovadores. Os bispos reaccionários, presentes não só no Vaticano mas em todo o mundo, deveriam abandonar a sua resistência obstinada e optar pela razoabilidade."

E o Papa Francisco? "Se me é permito dar-lhe um humilde conselho, deveria avançar com coragem no caminho iniciado e não ter medo das consequências." Em concreto, "espero que use a arte do "Distinguo" que aprendemos na Universidade Gregoriana: onde, na sondagem, há consenso na Comunidade eclesial, deveria propor uma solução positiva ao Sínodo. Onde há dissentimento, deveria permitir e suscitar um debate livre na Igreja. Onde ele próprio tem uma opinião diferente da da maioria dos católicos, como quanto à ordenação das mulheres, deveria nomear uma task force de teólogos e outros peritos, homens e mulheres, para enfrentar o tema."

Está contente? "Não me considero vencedor, não travei batalhas para mim, mas para a Igreja. Tenho a alegria de ver, ainda vivo, o êxito das ideias de reformas da Igreja pelas quais tanto combati."

3- A Igreja Católica é a única instituição verdadeiramente global. Assim, um problema maior será o da convivência com a variedade de posições.

Exemplos, a partir desta sondagem global, após a apresentação dos dados totais. Os divorciados recasados não podem comungar: na Europa, não concordam com esta proibição 75%, mas a não concordância é de 46% nas Filipinas. Ordenação das mulheres: na Europa estão a favor 64%, mas, nas Filipinas, 76% são contra. Casamento homossexual: em Espanha, 64% são favoráveis, mas na África 99% opõem-se-lhe. Na Europa, 50% pronunciam-se a favor do casamento dos padres, mas na África só 28%.
in DN

4 comentários:

  1. Essa dos anticoncetivos, é demais!
    Que se acabem com os confissionários e deixem os padres casar!
    Mas que costumes mais agressivos, contra a natureza.
    A Igreja não pode andar tão distante dos hábitos dos seus fiéis!
    Esperemos que o Papa Francisco, resolva os prolemas mais prementes.

    ~ ~ ~ Tem um excelente dia J.Pedro, mais um beijinho. ~ ~ ~

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    1. A Igreja é avessa a revoluções, majo.
      Não será Francisco a mudar esse paradigma.
      Procurar, e divulgar!, estes dados, já é um grande passo.
      E, como ensina a sabedoria chinesa, uma grande caminhada começa com um pequeno passo.
      Outro beijinho! :)

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  2. "A Igreja é avessa a revoluções", Pedro, é verdade, mas pode mudar. Permanecer numa atitude de imutabilidade é contrariar a natureza das coisas, como refere Majo relativamente ao celibato dos padres; isso afasta cada vez mais pessoas, que não são estúpidas.
    Como o Papa Francisco, um homem com os pés no chão, não se via ninguém há muito tempo. O antecessor mais parecia um anjo, um ser abstrato. As ovelhas são guardadas por pastores não por anjos.

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    1. Haverá mudanças, Agostinho.
      Mas no ritmo que é muito próprio da Igreja Católica.
      Francisco será o princípio dessas mudanças.
      Não será, não poderá ser, o único a levá-las a cabo.
      Mas está a dar esse impulso todos os dias.

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