16 de outubro de 2013

Café suspenso - Você sabe o que é?


Cafés suspensos"
Entramos num pequeno café na Bélgica com um amigo meu e fizemos o nosso pedido. Enquanto estamos a aproximar-nos da nossa mesa duas pessoas chegam e vão para o balcão:
- "Cinco cafés, por favor. Dois deles para nós e três suspensos."
Eles pagaram a sua conta, pegaram em dois e saíram.
Perguntei ao meu amigo:
- "O que são esses cafés suspensos?"
O meu amigo respondeu-me:
- "Espera e vais ver."
Algumas pessoas mais entraram. Duas meninas pediram um café cada, pagaram e foram embora. A ordem seguinte foi para sete cafés e foi feita por três advogados - três para eles e quatro "suspensos". Enquanto eu ainda me pergunto qual é o significado dos "suspensos" eles saem. De repente, um homem vestido com roupas gastas que parece um mendigo chega na porta e pede cordialmente:
- "Você tem um café suspenso?"
Resumindo, as pessoas pagam com antecedência um café que servirá para quem não pode pagar uma bebida quente. Esta tradição começou em Nápoles, mas espalhou-se por todo o mundo e em alguns lugares é possível encomendar não só cafés "suspensos" mas também um sanduíche ou refeição inteira.

21 comentários:

  1. Eu não sabia. E se houvesse isso por aqui tb participaria desde que me dessem garantias – ainda não sei como – que esses alimentos suspensos seriam entregues a quem de direito.
    Gostei da ideia.

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    1. Eu também não sabia, Catarina.
      Uma iniciativa excelente.
      Que, por aqui, também não existe.

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  2. Prometer e cumprir. Pagar e usufruir o que se pagou. Talvez houvesse cá em Portugal gente suficientemente séria para garantir a quem reclamasse o café supenso ...mas tenho também a leve impressão de que muitos cafés suspensos não seriam servidos, apesar de pagos com boa vontade. É preciso ter uma consciência social bastante enraizada para poder perceber-se a grandeza destes gestos e praticá-los com garantias. Na França, na Bélgica, nos países nórdicos ...assim como em outros países europeus, existe uma consciência maior e um respeito igual para o apoio social. Diferente do que existe aqui em Portugal. Esse respeito vem das convicções das pessoas e do seu posicionamento de todos os dias no todo social e político. Os sindicatos ( só para dar um exemplo) são respeitados de forma diferente nesses países. E a consciência do colectivo para os direitos e para os apoios sociais são encarados como prioridades de quem trabalha. Se não nos dá-mos ao respeito, obviamente que os governos não nos respeitam. Essa consciência individual e ao mesmo tempo colectiva, é comum em alguns países uma vez que todos pensam que alguma vez poderei ser EU, a ter de sobreviver ao relento ou à falta de uma bebida quente. Nos países nórdicos, com um clima mais áustero, essa condição é determinante nos apoios sociais. Ninguém fica a dormir na rua...e todos têm um profundo respeito pelos apoios sociais e todos descontam e contribuem nesse sentido para o verdadeiro social e mais boçal principio de subsistência. Na Islândia, por exemplo, o subsídio de desemprego é garantido até ao momento em que a pessoa volta a trabalhar. Nunca perde o direito a esse apoio enquanto não arranjar emprego. É a Câmara Municipal que paga ao cidadão uma pensão de subsistência enquanto o individuo não arranja trabalho e resolve a sua vida. O trabalho é um factor de respeito e é também encarado nestes países de forma descomplexada. Sem os engenheiros e os doutores de título nobre que temos aqui em Portugal e que acham uma aberração um licenciado andar a varrer lixo na rua....Ainda nós falta crescer muito para chegar ao nível de literacia social que alguns países têm.

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    1. Gostei muito do seu comentário, Raquel Mark.
      Este tipo de auxílio é algo que consigo compreender muito bem.
      Mas, concordo em absoluto, é necessário que haja consciência social para que não se torne num embuste.
      Ainda assim, se não se correr o risco, e se deixar que alguns escroques se aproveitem destas situações, elas nunca existirão.
      Não me lembro de alguma vez ter dado esmolas a quem as pede nas ruas.
      Especialmente crianças.
      Mas já levei muitas pessoas a comer o que bem quiserem.
      Com esta situação é necessário haver uma base de confiança.
      Ainda que seja violada algumas vezes.
      Valerá a pena.

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  3. É até emocionante esta iniciativa :(

    Em Portugal haveria muita gente a aderir, com certeza, mas daria o mesmo resultado? Tenho dúvidas.

    Beijinho :)

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  4. Desconhecia por completo e gostei da real informação de Raquel Mark.

    Cá e pelo que já vi quando levava dois casais para levantarem o "cabaz de alimentos" à diaconia da Igreja daqui...é de sair de lá com vontade de partir tudo" e quando ambos foram embora para as terras de origem de um dos conjuges...botei faladura ou melhor dizendo a boca no trombone, porque as culpas da precariedade para não dizer MERDA de bens que davam era culpa do banco alimentar...MENTIRA e fiquei a saber de coisas...mas sem medos denunciei e fico-me por aqui! Formei uma roda de 5 pessoas e durante ano e meio ajudámos semanalmente até terem conseguido partir, mas não morreram à fome nem da triste "pobreza envergonhada", já que não tinham qualquer familiar.

    Para darmos temos de saber bem a quem damos e como damos e a "base de confiança referida por Raquel" é tão precária nos tempos que correm...embora exista excepções que conseguem ultrapassar os "trapaceiros".

    Gostei imenso Pedro deste momento de leitura e reflexão.

    Beijos

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    1. Roubar comida que é doada para caridade, Fatyly?
      Como é que há gente com um coração tão empedernido?
      Isso é tão reles que nem merece qualificação!!
      Beijos

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  5. Soube pelo facebook desta forma de solidariedade bem criativa e parece que também já se pratica por cá!

    Abraço

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  6. Penso que estão a ser implementados os cafés "suspensos" em pequenos cafés de bairro onde clientes e funcionários se conhecem muito bem!

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    1. Essa é uma boa hipótese de se ultrapassarem as reservas que se levantam nestas situações, Rosa dos Ventos - esses cafés onde toda gente se conhece

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  7. Não conhecia ! ... Tenho duas dúvidas para isso funcionar bem por cá :
    Será que os proprietários seriam capazes de cumprir, de acordo, não esquecendo o nº de "suspensos" ?
    Será que haveria clientes que se "aproveitassem" da situação, mesmo podendo pagar ? ...

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    1. Há sempre esses riscos, Rui.
      A Rosa dos Ventos dá uma boa sugestão - estabelecimentos mais pequenos, onde toda a gente se conhece.

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  8. Muito giro! Não conhecia este procedimento que é bem generoso.

    Beijinhos ocidentais

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    1. Uma ideia excelente, Graça.
      Que, como todas as outras, se pode prestar a abusos por parte de gente com menos escrúpulos.
      Beijinhos a Oriente :)))

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  9. A ideia é gira! Por cá seria melhor começar a pedir alguns salgados, tal é a fome que grassa no pais!

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    1. A maior tragédia, Carlos.
      Tudo o resto é pouco importante quando comparado com situações de fome.
      Demasiado horrível!

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  10. Fiquei encantada com este testemunho, a prova de que o infortúnio não deixe indiferentes os mais afortunados.
    Outros mundos, outras mentalidades, outras formas de ver e de estar no mundo.

    Abraço.

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    1. GL,
      Uma ideia simples que pode ajudar a combater um problema terrível, um flagelo horroroso.
      Abraço

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  11. Eu partilhei este texto no meu Facebook.. acho que o povo português é solidário.
    Eu não me importava de ter uma estabelecimento destes no Porto, dedicado a este tipo de serviço social.
    Onde se explicava o conceito aos clientes e onde houvesse um espaço onde os cafés , salgados e refeições suspensas pudessem ser servidas ... só ainda não sei muito bem como fazer para que todos possam usufruir do mesmo espaço e ter direito a um atendimento condigno que todos merecer sem " chocar" os clientes contribuidores sem haver constrangimento para nenhuma das partes .... alguém tem uma ideia a respeito?

    obrigada.

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    1. Tekanelas,
      O que foi aqui sugerido (estabelecimentos onde as pessoas se conhecem, para se evitar a fraude, mas mantendo a confidencialidade de quem dá) é uma boa ideia.
      Bem haja apenas pela vontade de levar a ideia adiante.

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