19 de junho de 2013

Antecipando cenários para as próximas eleições para a Assembleia Legislativa em Macau


Não possuo dotes divinatórios, não sou oráculo, muito menos pitonisa.
Como tal, o que se segue é apenas um exercício lógico, o raciocínio possível, lendo e interpretando os sinais que vou recolhendo dia-a-dia tendo em vista as próximas eleições para a Assembleia Legislativa em Macau.
Quando o painel de candidatos parece estar já praticamente definido (qualquer candidatura que possa aparecer não deverá alterar muito o cenário) podem fazer-se já algumas projecções com relativa segurança.
Começando pelos candidatos que terão um eleitorado mais ou menos fidelizado e que terão, por via disso mesmo, a eleição garantida.
Estão nesta situação os Operários, os Moradores, Chan Meng Kam, Pereira Coutinho, Angela Leong, os denominados pró-democratas.
As dúvidas que se levantam relativamente aos Operários e Moradores, a Chan Meng Kam e aos pró-democratas são as mesmas - quantos deputados conseguirão fazer eleger?
Pereira Coutinho, assim como Angela Leong, muito dificilmente farão eleger o número dois da lista.
O universo do funcionalismo público, muito dividido, e o universo da SJM/STDM, respectivamente, não serão suficientes para fazer eleger mais do que um representante.
Já a lista de Chan Meng Kam  deverá manter os actuais dois; os Operários e os Moradores, três no total.
O eleitorado que os apoia estará consolidado, será suficiente para eleger estes cinco deputados, não acredito que sofra grandes alterações.
Aqui chegados, e se estas projecções não andarem muito longe da realidade, já estarão reservados 7 lugares no hemiciclo (metade).
Começam agora as grandes interrogações.
A dinâmica da Associação no Novo Macau,  a ascensão de Jason Chao, a separação em três listas, serão suficientes para chegar aos quatro deputados?
Os pró-democratas terão que fazer um grande trabalho, terão que ter uma grande capacidade de organização e uma grande capacidade de fazer passar a mensagem para conseguirem tal desiderato.
Complicado, mas perfeitamente possível.
Sobretudo atendendo ao aumento do número de deputados eleitos por sufrágio directo.
A ser assim, já são 11 lugares ocupados.
Ficam a faltar três.
Dois dos quais deverão ser ocupados pelas listas dos actuais deputados Mak Soi Kun e Melinda Chan, também estas com um eleitorado algo fidelizado.
E, para ficar o cenário completo, Agnes Lam, depois do excelente resultado conseguido há quatro anos, é provável que agora consiga a eleição.
Ligada a um eleitorado mais culto e mais jovem, a professora da Universidade de Macau apareceu tarde e tem como grande obstáculo à sua eleição a grande dinâmica junto do eleitorado mais jovem que a dupla Jason Chao/Scott Chiang está a ter.
Ainda assim, atentas as particularidades do sistema leitoral em Macau, onde o método do Hondt dá lugar a um sistema em que a conversão dos votos em mandatos se faz de acordo com regras muito peculiares - o número de votos obtidos por cada candidatura é dividido sucessivamente por 1, 2, 4, 8 e demais potências de 2 até se registar o número de mandatos a distribuir, sendo os quocientes alinhados pela ordem decrescente da sua grandeza numa série de tantos termos quantos os mandatos, prosseguindo o processo de divisão até se esgotarem todos os mandatos - das listas mais votadas só os pró-democratas terão sérias possibilidades de ver o número de deputados eleitos crescer.
E é assim bem provável que Agnes Lam consiga a eleição.
Isto apesar do timing da sua candidatura e da dinâmica de outras já há muito no terreno.
Atendendo a que Pun Chi Meng também tem o seu eleitorado muito restrito, muito contado, muito fidelizado, mas nunca se aproximará sequer dos números suficientes para a eleição, podendo sim ser a chave para a eleição de um quarto deputado dos pró-democratas, estará completo o hemiciclo que sairá das eleições para a quinta assembleia.
Que apresentará como novidades um quarto deputado dos pró-democratas (Jason Chao), a académica Agnes Lam e o abandono de alguns deputados mais velhos, incluindo o actual Presidente da Assembleia Legislativa.
Caras novas, uma Assembleia rejuvenescida?
No sufrágio directo é essa a ideia que fica.
Nas nomeações e no sufrágio indirecto, who knows?!
E assim, com as restantes listas já apresentadas a representarem apenas um valor residual, sem qualquer peso  ou impacto nas contas finais, fica a previsão para a constituição do próximo hemiciclo por via do sufrágio directo.

10 comentários:

  1. E você, Pedro, para quem se "inclina"? (pergunta indiscreta)

    Abraço

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    1. Com toda a sinceridade, ainda não decidi o meu sentido de voto, Ricardo.
      Quero ver o que me reserva a campanha eleitoral, as propostas que são apresentadas.
      Quero ver se há uma visão para Macau, para o futuro de Macau.
      Porque votar em alguém só porque sim não é nada o meu feitio.
      Aquele abraço!!

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  2. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    Como sempre e uma vez mais estou fora destas guerras, nem sequer estou recenciado.
    Abraço amigo

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    1. Eu estou, Amigo Cambeta.
      E vou votar.
      Mas ainda não decidi o sentido do meu voto.
      Aquele abraço

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  3. Li, mas fiquei um pouco a Leste como deve imaginar.

    Não sei se sabe, mas a Orquestra Gulbenkian irá dar um concerto aí em Macau, mas não sei a data.

    Quanto ao Acordo Ortográfico acho-o uma aberração e continuarei a escrever como sempre escrevi!

    Tenha um bom resto de dia, Pedro

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    1. Esteve cá esta semana Sequeira Costa.
      Agora a Orquestra da Gulbenkian
      Estou a gostar.
      Não, não sabia que estava programada a vinda.
      Festival de Música (Outubro)?
      É provável

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  4. Então e com tanta reflexão, já decidimos para que sítio vamos votar?

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    1. A campanha eleitoral é que vai desfazer as minhas dúvidas
      Por enquanto, só umas pistas.

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    1. 14 deputados eleitos directamente, António
      Os nomeados e os eleitos indirectamente excedem este número.
      Dizia um homem muito sábio -" os chineses nunca organizam umas eleições sem saberem quem as vai ganhar"
      Aquele abraço!!

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