14 de junho de 2012

Conquista e exercício do poder e a cultura macua



Os macuas são uma etnia moçambicana, um povo agrícola originário de Moçambique e da região de Mtwara, na Tanzânia.
Com uma cultura e tradições muito próprias, de entre as quais quero destacar o ritual associado à conquista do poder, mais especificamente ao momento da investidura no cargo.
Numa época em que tanto se discute a legitimidade dos modelos de conquista do poder, em primeira instância, e do seu exercício, em seguida, os macuas oferecem-nos um ritual curioso e altamente simbólico.
"O recém-eleito é amarrado com cordas; neste estado, é conduzido ao público, diante do qual é desamarrado. Este gesto,  que à primeira vista parece cruel, é simbólico. Com ele, pretende-se dizer ao eleito que, a partir do momento em que é eleito, ele fica amarrado aos interesses e ao bem-estar da comunidade e não mais aos seus caprichos. O poder é entendido, assim, como um serviço à comunidade, ao povo. Em suma, o poder que assume é do povo e é para o bem dele que o deve exercer." (Brazão Mazula, na Apresentação ao livro O Povo Macua e a sua Cultura, de Francisco Lerma Martínez).
E pensar que o termo macua, na sua origem etimológica, está associado a bárbaro, selvagem, não-civilizado!

14 comentários:

  1. Caro confrade Pedro Coimbra!
    Sabe o que acho mais fascinante na nossa existência?!... Quer saber mesmo?!... É ter a mais absoluta certeza que nada sabemos e que enquanto estivermos cônscios que somos seres racionais estaremos aprendendo!!!!
    Gratíssimo por nos apresentar a sabedoria da Cultura Macua!!!!!
    Caloroso abraço! Saudações aprendizes!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Diadema-SP

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  2. Prof. João Paulo de Oliveira,
    Se tivermos mentalidade e espírito abertos, aprendemos todos os dias.
    E quando menos esperamos.
    Um dos meus colegas de trabalho é originário de Moçambique, de cultura macua.
    Foi ele que me emprestou este livro, que ando a ler, e que despertou a minha atenção neste ritual e no simbolismo associado ao mesmo.
    Acredito que, quanto mais for lendo, mais vá descobrindo.
    E, quem sabe, partilhando aqui.
    Aquele abraço

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  3. Muito obrigado por este excelente excerto, Pedro. Devíamos aprender mais com os outros, em vez de estar sempre a olhar para o umbigo.

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  4. Carlos,
    Aquela ideia de bárbaros, selvagens, não-civilizados, infelizmente vem de nós, portugueses, enquanto colonizadores.
    Não só não aprendemos, como ainda insultamos, o que é bem pior.

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  5. Como "macua" que me orgulho de ser, sinto imensa satisfação pela lição que é dada por "vulgares povos de tribos pouco desenvolvidas", tomara que os povos "das tribos super desenvolvidas" aprendessem, teríamos um mundo bem melhor, mais limpo da podridão civilizada!

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  6. Tomei a liberdade de copiar e postar no FB para alegrar os muitos macuas que andam por aí e precisam de encher o ego ...

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  7. Também existiam e ainda existem os bárbaros, sim. Não é o facto de haver excepções que a regra deixa de existir. Se o branco não tivesse colonizado África, certamente os povos negros do continente continuariam a viver como viviam há séculos. O problema é que o politicamente correcto funciona como uma espécie de lavagem cerebral impingida às pessoas...

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  8. Pedro
    É de facto uma verdade essaideia vem de nós portugueses.

    Beijinhho e uma flor

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  9. Unknown - very known :))),
    Se quisermos podemos aprender com todos os povos, com as suas tradições, com os seus ritos.
    Mas, se tivermos a mania da superioridade, não há espaço para aprendizagem.

    Vou espreitar o FB.
    Abração


    FireHead,
    Esqueça lá o politicamente correcto aqui por estas bandas!
    Mas não esqueça que, dessa colonização, também resultaram muitas barbaridades.
    Acha esta concepção de exercício do poder errada, bárbara?
    Obviamente não estou a sugerir que se ate o Presidente da República, o Primeiro-Ministro,.....no acto de posse.
    Mas é bom que se lembre aos titulares de cargos públicos, políticos, porque é que os exercem e para quem é que os exercem.
    Nesse particular, este ritual macua ensina muito, não concorda?


    Adélia,
    Nós, que estamos sempre, e bem!!, a dizer que não se pode apagar ou reescrever a História, temos de dar o exemplo.
    E não esquecer.
    O bom e o mau.
    Beijinho

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  10. Gostei mesmo de ouvir falar do povo macua neste espaço, um espaço que acompanho já há algum tempo mas nem sempre a comentar!

    Este povo tem muito para dar e ensinar, sou suspeito porque vivi de perto com eles em moçambique, desde aí nutro um carinho especial por eles. Para além do Pe. Lerma, autor do livro, tem também o Padre Frizzi que tem feito um trabalho muito importante com este povo, desde o dicionário, a recolha de contos.

    Pode ser que quando for a Macau que será este ano consigo combinar consigo e emprestar-lhe por 1 tempos.

    abraço

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  11. M.J.,
    Estou quase a terminar o livro.
    Isto, na minha maneira de encarar a religião, é evangelização, respeito pelo outro, transmissão do que se aprende.

    O livro, não lho posso emprestar.
    Simplesmente porque não é meu.
    Mas posso apresentar-lhe o meu amigo, de cultura macua, que mo emprestou a mim.
    Emprestou-me este, vários livros do Mia Couto (lêem-se quase de uma penada), Memórias em Voo Rasante do Jacinto Veloso, O Fim do Império e o Nascimento da Nação, do irmão do Mia Couto, O Meu Avô Africano.....como pode constatar, tenho andado a ler alguma coisa sobre Moçambique e a sua cultura.

    Quem sabe, qualquer dia, não visite o próprio país.

    Abraço

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  12. Muito Obrigado Prof. Dr Mazula, por tudo que esta fazendo por moçambique. Este é o maior presente que vai dando aos jovens mozambicano.
    Abraços Filipe

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  13. Respostas
    1. Filipe,
      Tenho vários amigos de cultura Macua.
      Este post é também uma homenagem a todos eles.
      Um abraço

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