15 de maio de 2012

Num mundo de diferenças, a diferença é Macau



Gosto do slogan que Macau adoptou para se promover no exterior.
É feliz, arejado, imaginativo, desperta a atenção do potencial visitante.
Mas, e é isso que agora quero testar, terá correspondência com a realidade?

Ontem, em conferência de imprensa, os responsáveis dos Serviços de Saúde comunicaram secamente que o ansiado, e tão necessário, hospital das Ilhas, afinal não vai ser uma realidade em 2014.
Há atrasos, a coisa foi mal programada, as obras vão demorar mais que o inicialmente previsto.....enfim, a 1ª fase estará pronta lá para 2017.
O hospital, talvez em 2019.
Se não houver atrasos.
Entretanto .......bem, entretanto é melhor não adoecer muito e a rapaziada da MUST vai continuar a receber uma renda mensal ofensiva para arrendar ao Governo o que o Governo lhe havia antes dado.
Confere - "num mundo de diferenças, a diferença é Macau".

Ainda bem que a conferência de imprensa supracitada não teve lugar à noite.
Porque, com mais um apagão da CTM, se calhar não se podia realizar.
Foram duas horas, com metade dos clientes afectados no serviços que a companhia de telecomunicações oferece, à semelhança aliás do que tinha acontecido ainda muito recentemente.
Vai ser averiguada imediatamente a causa da falha técnica (já se sabe que foi falha técnica? Da outra vez não se concluiu que era humana?!), vai ser apresentado um relatório circunstanciado ao Executivo, com a maior brevidade, e a CTM pede desculpas aos clientes afectados (não foi exactamente  assim da última vez também?)
E quais foram as consequências para a empresa?
Uma multa irrelevante, um puxão de orelhas, uma série de discursos sem sentido, não foi?
Desta vez vai ser igual?
Muito provavelmente.
Pois, confere - "num mundo de diferenças, a diferença é Macau".

Hoje, logo pela manhã, quando estava a preparar-me para sair do parque de estacionamento no meu prédio para vir trabalhar, deparei-me com a prova que faltava para ter que aceitar que.....isso mesmo! - "num mundo de diferenças, a diferença é Macau".
O meu carro, estacionado no meu lugar de estacionamento, estava bloqueado pelo carro da frente, um Mercedes classe E, que o dono resolveu não estacionar no lugar que lhe é devido (exactamente em frente ao meu).
Antes, talvez para também ele ser diferente, deixou o carro no meio da estrada (!!) impedindo que o meu carro, e outros ao lado, saíssem.
Valeu a ajuda do porteiro, o qual, com a  pressa, acabou por cair, para ir buscar alguém a casa da cavalgadura que ali deixou o carro (a cavalgadura nem se dignou aparecer!!), para eu poder vir, já atrasado, trabalhar.

Sem dúvida, a diferença é mesmo Macau.
Mas, pergunto eu, precisava de ser assim tão diferente??!!

10 comentários:

  1. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    Estou 100% de acordo com suas sábias palavras.
    O hospital das ilhas talvez lá para 2020 começará a funcionar entretanto a universidade de Macau lá do outro lado começará antes.
    Eu não tenho problemas coma minha viatura porque não sou possuidor de nenhuma, mas mesmo aqui ao lado de minha casa, todas as manhãs e não não estacionam viaturas na curva em cima da passafeira, a polícia passa mas deve ter os óculos com uma graduação que não é para a vista dele. entretan to quem não puser moedas no tigre ai eles vêm logo.
    A diferença é Macau ou suas leis.
    A CTM como tem o monopólio é assim já, é com a tv. cabo, esta ainda pior pois nem contrato houve foi dado de mão beijada, e agora queixam-se dos antaneiros.
    Abraço amigo

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  2. Amigo Cambeta,

    Mas este animal a que me refiro no meu post nem foi no espaço público que deixou o carro.
    Foi na garagem do prédio, à frente do meu carro.
    Soube agora, por intermédio do porteiro (tem a perna toda negra da queda que deu) que a besta vinha com uma bebedeira de tal ordem que vomitou-se todo e não conseguiu estacionar o carro.
    E as duas gajas que lá estão em casa? Não podiam vir cá abaixo estacionar a porcaria do carro?
    Selvagens!!

    Aquele abraço

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  3. Mesmo com tudo isso...e porque tudo isso também acontece aqui à minha porta...um dia gostava de conhecer Macau.
    Bj e boa semana

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  4. Caro confrade Pedro Coimbra!
    Infelizmente a falta de civilidade impera na contemporaneidade, principalmente nos grandes centros urbanos.
    Quem sabe um dia tenha a prerrogativa de conhecer Macau!!!!
    Caloroso abraço! Saudações viajantes!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Diadema-SP

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  5. George Sand,
    Mas eu gosto de Macau (já gostei mais, é verdade).
    Precisamente por gostar é que não percebo a atitude reinante do deixa andar, do não apontar os problemas para não dar cabo da harmonia.
    Com atitudes destas, e outras semelhantes, está-se a dar cabo de Macau.


    Caro Prof. João Paulo de Oliveira,
    Como já referi no comentário anterior, a minha revolta com estas atitudes, e o que me leva a apontá-las a dedo, é o facto de gostar de Macau.
    Se não gostasse, adoptava a atitude mais comum e mais fácil de nada dizer.
    Aquele abraço

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  6. Precisar não precisava. Mas não era a mesma coisa.

    :)

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  7. Macau é mesmo diferente, caso contrário não estariam por lá tantos portugueses e pessoas de outras nacionalidades. :)

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  8. António,
    Mas é isso que eu espero.
    Que não seja esta coisa que estão a fazer de um local que me encanta.
    Aquele abraço


    FireHead,
    Pois é diferente.
    E é por isso que eu e outros portugueses e estrangeiros tanto gostamos dela.
    Sobretudo se, como é o meu caso, temos o estatuto de residentes permanentes.
    Podia adoptar aquela postura mais habitual e conformista - isto não é a minha terra, que se lixe.
    Mas, sabe uma coisa?
    Esta (também) é a MINHA terra.
    Como tal, quando vejo estas coisas, aponto-as a dedo.
    Terá algum resultado prático?
    Não sei.
    Mas sinto que é meu dever fazer o que faço.

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  9. Caro Pedro,
    Para não variar adorei o escrito. Na mouche.
    Sobre o hospital, entretanto vai-se encaminhando os utentes para "o hospital privado" pagando-se o serviço privado... Enquanto um apodrece o outro recebe subsídios, é remodelado, com alas novas e equipamentos de ponta... Qualquer privatizam a saúde.

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  10. Anónimo,
    Mas eu até aceitava que privatizassem o sector da saúde.
    Era mais honesto do que isto que está a ser feito.
    Até porque, mesmo com muito dinheiro e muito bons equipamentos, se não há médicos.....
    Revolta, porra!

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