30 de novembro de 2009

E agora Eanes


A Lusa está a transformar-se numa espécie de arena de luta política com Macau como pano de fundo e leitmotif.
Agora foi Ramalho Eanes que, por ocasião de uma homenagem a Melo Antunes, veio proferir uma afirmação assaz curiosa, ainda na sequência do desabafo de Rocha Vieira.
Ramalho Eanes achou que não devia responder a uma pergunta que lhe foi colocada acerca do final do mandato de Rocha Vieira, e do episódio da bandeira, porque "teria de fazer uma crítica implícita a um dos sucessores"(sic).
Para quem não queria fazer uma crítica......
Acho curiosa esta forma de actuar, que é aliás recorrente em Portugal.
Eu não quero dizer nada porque, se fosse dizer, era para dizer algo desagradável.
Já disse tudo!!!
O que é que ainda podia dizer mais?
Entrar na maledicência pura?
Não sei se Ramalho Eanes realmente acha, a propósito do mandato de Rocha Vieira, que "(...) a República lhe deve um trabalho de excelência na condução da questão de Macau e na devolução à China com aquela dignidade que todos reconheceram que o acontecimento teve" (sic), ou se está a produzir declarações numa lógica de amizade e corporativismo.
Volto ao que aqui deixei escrito em post anterior - o momento para o balanço do consulado Rocha Vieira em Macau ainda vem longe.
Como residente permanente de Macau, português de origem e coração, não estou a gostar nada de mais um episódio de pura chicana política à volta de Macau, precisamente quando se cumpre o décimo aniversário da transferência de poderes.
Ainda não perceberam que estas palermices não têm interesse nenhum, não têm sentido nenhum, dão má imagem do País e reflectem-se negativamente em quem escolheu basear a sua vida aqui?
Para quem está sempre a falar em Sentido de Estado,  fica a sensação que quem tanto prega não  sabe muito bem o que a expressão significa.


As Ligas dos ricos

Nas principais ligas europeias reinam os suspeitos do costume também.
Não é só em Portugal...

Em Espanha, os blaugrana venceram o Real Madrid.
Golo do sueco Ibrahimovic e mais uma demonstração de poderio e classe de uma equipa fenomenal.
Depois de ter derrotado o Inter a meio da semana, Guardiola virou-se para a competição interna, venceu o Real (o eterno rival) e subiu ao primeiro lugar.
Xabi Alonso já não vê o Barcelona pelo retrovisor.
Agora é Puyol que vê o Real no seu retrovisor.
Há ali soluções para tudo e, cada vez mais, há equipa.
Assim é difícil resistir, ainda para mais quando, na liga espanhola, os níveis competitivos têm de ser sempre muito altos.
A cronica aqui http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/barcelona-real-madrid-ibrahimovic-cristiano-ronaldo/1106727-4062.html

Em Itália, o Inter de José Mourinho continua a sua caminhada imparável rumo a mais um título.
O Inter não deslumbra, bem pelo contrário, mas é sólido, robusto, competitivo, e aproveita todas as escorregadelas dos adversários.
Foi o que aconteceu este fim-de-semana.
Vitória em Florença, e o aproveitamento do deslize da Juventus frente ao Cagliari (golaço de Néné, o ex-nacionalista, melhor marcador da Liga Sagres na época passada).
Mas os tiffosi nerazurri querem mais do que os sucessivos scudettos que o Inter vai conquistando.

E Mourinho também se revela pouco entusiasmado com o campeonato italiano.
Verdade seja dita, depois do escândalo Calciocaos, a liga italiana perdeu brilho, fulgor, dinheiro, vedetas e competitividade.
Descaradamente, Mourinho pisca o olho à liga inglesa, aquela que realmente lhe agrada e, sem sombra de dúvida, a mais competitiva da Europa.
Os tiffosi nerazurri têm saudades dos tempos do "Inter com genes alemães" (Andreas Brehme, Lottar Mathaus e Jurgen Klinsmann, liderados por Giovanni Trapattoni) que dominava a nível interno e europeu.
Os tempos são outros e as vitórias internas já não entusiasmam.
Nem os tiffosi, nem Mourinho.

Entusiasmo, vibração, competitividade, espectáculo, esses estão em Inglaterra.
Em terra de monarcas, o czar russo parece que conseguiu finalmente construir uma equipa diabólica.
Este Chelsea é um monstro!
Joga muito, é de uma solidez impressionante, tem opções de qualidade quase infindáveis, craques impressionantes, um índice físico assustador.
A meio da semana foi ao Porto arrumar a questão do primeiro lugar no Grupo da Liga dos Campeões.
Ontem foi dar show a Londres e bater o Arsenal, em pleno Emirates Stadium, por 3-0, com uma exibição fantástica de Didier Drogba.
O jogador africano é a imagem deste Chelsea - felino, classe pura, experiência, força física, velocidade, técnica e atitude irrepreensíveis.
Muito mérito de Carlo Ancelotti na construção deste rolo compressor.


Não é por acaso que, na corrida à Bola de Ouro, estão seis jogadores que jogam no campeonato espanhol, três que jogam no campeonato inglês e um (Etoo) que joga em Itália (ler aqui http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/bola-de-ouro-ronaldo-messi-france-football-maisfutebol/1106651-4062.html

O Porto e a Académica (os meus dois amores) e os outros


Correu bem o fim-de-semana para as minhas cores favoritas.
O Porto ganhou ao Rio Ave (2-1) e diminuiu distâncias para o Benfica.
Três pontos a separar as duas equipas, com muito campeonato para jogar, o que faz prever luta intensa lá no topo da tabela.
O Braga joga hoje, pode isolar-se no primeiro lugar, mas insisto na ideia de não ver os arsenalistas como candidatos ao título.
No Dragão, perante um Rio Ave muito bem arrumado, atrevido, bem comandado e com um João Tomás renascido, o Porto cumpriu a obrigação.
Mas nada mais que isso.
A equipa portista ainda não encontrou um ritmo certo, ainda não pratica um futebol convincente, não é dominadora, não apresenta classe.
Ainda assim, e cumprindo a tradição daquela casa, vai ganhando, vai somando pontos, e vai-se mantendo na luta pelo título.
Tenho para mim que o jogo com o Benfica vai ser determinante para este Porto.
Não vai definir nada em termos de tabela classificativa, muito menos de modo irreversível para qualquer dos lados.
Mas pode representar o clique que tem faltado ao Porto, ou, no reverso, deixar a equipa em dificuldades que não está habituada a sentir.
E é disso que não estou a gostar nesta equipa do Porto.

É menos segura do que é hábito, parece menos confiante do que em anos anteriores, e fica a sensação que há ali problemas internos mal explicados e nada habituais.
O que é que se passa com Helton?
O que levou Jesualdo Ferreira a sentar Rolando no banco e a dar a titularidade a Maicon?
Estes castigos, puxões de orelhas, não são habituais no Porto.
E não prenunciam nada de bom.
Em resumo, utilizando uma expressão muito comum, o Porto vence. Mas não convence.
A crónica do O Jogo aqui http://www.ojogo.pt/

Em Coimbra, André Villas-Boas quer dar razão a quem tanta esperança deposita nele.
Excelente exibição e resultado (3-0) frente a um adversário directo (Setúbal).
Para já, o abandono da zona de despromoção, um futebol mais alegre, mais forte, uma outra alegria e confiança em Coimbra.
Isso André Villas-Boas já conseguiu.
Na próxima jornada, uma deslocação à Luz com Jorge Jesus a espiar ontem.

Nos restantes jogos, o destaque para um renascido Vitória de Guimarães sob a batuta de Paulo Sérgio.
 Os minhotos recebem o Porto na próxima jornada e está aí um jogo de tripla.
Ao contrário, o Olhanense, a equipa com menor média de idades e menor orçamento da Liga Sagres, começa a mostrar naturais debilidades, pouco visíveis no início da época.
Nesta jornada, mais uma vez muitos empates e a confirmação de uma Liga nivelada muito por baixo.
Os resultados aqui http://www.maisfutebol.iol.pt/superliga-geral/11-jornada-lesionados-convocados-castigados/1106257-1676.html

A merecer destaque também o facto de Van der Gaag ainda não ter perdido desde que se tornou treinador do Marítimo.
Nesta jornada, a peder por 2-0 com o Belenenses, no Restelo, reduzido a 9 unidades, ainda logrou alcançar o empate com Manu em grande evidência.
A crónica aqui http://www.maisfutebol.iol.pt/belenenses/cronica-belenenses-maritimo-liga-pecanha-lima/1106728-1463.html

29 de novembro de 2009

Indisponibilidade para correr riscos


Esta expressão, na sua simplicidade, resume muito do que se passou ontem em Alvalade.
Nem Sporting, nem Benfica, quiseram correr riscos.

No caso do Benfica, a opção estratégica de Jorge Jesus até é compreensível.
O Benfica leva 11 pontos de vantagem sobre o rival e era ao Sporting que competia  "correr atrás do prejuízo".
Daí que a estratégia de nítida 'tracção atrás" montada por Joge Jesus tenha de ser compreendida e aceite.
Revela falta de ambição, dirão os seus críticos.
Revela pragmatismo, continuo a pensar eu.
Entre os méritos de Jorge Jesus, está indiscutivelmente o de ter sabido avaliar muito bem os recursos humanos de que dispõe, o de não ter caído na ilusão e popularismos fáceis.
Jorge Jesus quer, acima de tudo, ser campeão.
Mais agora após o afastamento precoce da Taça de Portugal.
Com o resultado de ontem, sensaborão para os adeptos, afastou definitivamente um outro potencial candidato ao título da corrida.
Algo que o próprio treinador benfiquista afirmou no final do jogo e que só não vê quem não quiser.
Xeque-mate ao Sporting, dado com muita frieza e visão.
Daí que, ao contrário do Benfica, seja incompreensível a acomodação do Sporting a um resultado que definitivamente afasta a equipa da rota do título.
O Sporting, que tinha tudo a perder neste jogo, mostrou-se acima de tudo preocupado em não perder o jogo.

Péssimo cartão de visita de Carlos Carvalhal nesta sua apresentação em Alvalade.
Com a estratégia que montou, e as opções que tomou ao longo do jogo, Carvalhal foi o primeiro a admitir que acredita pouco na equipa.
Eventualmente, que acredita pouco em si próprio.....
E foi extremamente egoísta.
Carlos Cavalhal, antes de mais, não queria apresentar-se perante os sócios do Sporting, com uma derrota em Alvalade perante o rival da Segunda Circular.
Em Alvalade esteve o treinador do Setúbal, do Belenenses, do Marítimo, não o treinador ambicioso que o Sporting exigia.
E estes factos ainda assumem maior gravidade quando se estava perante um jogo em que o Sporting tinha tudo a perder e muito pouco a ganhar.
Uma equipa que está a 11 pontos de distância do topo da classificação, se ainda tem alguma ambição, é inadmissível que não jogue tudo para ganhar aquele jogo.
Ainda que, nesse processo, o venha a perder.

Se restavam dúvidas, ontem ficaram definitivamente dissipadas - o Sporting é uma equipa sem classe, com um treinador sem classe, que vai lutar por um lugar na Liga Europa da próxima época, uma participação digna na Liga Europa da época em curso, e uma possível vitória na Taça de Portugal e/ou na Taça da Liga.
Objectivos inteiramente compreensíveis e aceitáveis para um Marítimo, um Belenenses, um Setúbal.
Nunca para o Sporting!
Com este resultado, o Porto pode aproximar-se dos lugares de topo, e o Braga pode assumir a liderança isolada da prova.


27 de novembro de 2009

Politiquice



Vasco Rocha Vieira, último Governador de Macau, concedeu uma entrevista à Lusa que, presumivelmente, seria um desabafo do general, dez anos após a transição de poderes em Macau.
Bem espremidinha, duas conclusões a tirar:
  • Rocha Vieira e Jorge Sampaio tinham uma relação gélida (não é novidade nenhuma);
  • A bandeira que o general segurou ao peito, encontra-se numa gaveta em casa do então seu ajudante de campo (é novidade, mas é puro "fait divers").
Depois de conhecido o conteúdo da entrevista, e o episódio da bandeira, Carlos Monjardino veio, muito solicitamente, oferecer-se para expor a mesma no Museu do Oriente.
Isto, claro, se alguém lho solicitar.
Passemos a decifrar mais um episódio de pura politiquice.

Rocha Vieira queria que Jorge Sampaio o recebesse para o general fazer o balanço da sua governação.
Era uma tradição que o Governador de Macau fizesse o balanço dos seus anos de governação perante o Presidente da República quando cessava as suas funções, tradição que Jorge Sampaio quebrou com Rocha Vieira.
E quebrou porquê?
Porque o general quereria promover, publicamente e de modo simbólico, o fim do império.
Muita imprensa, a bandeira colada ao peito, a ser entregue pelo último Governador ao Chefe de Estado.
Sampaio percebeu a ideia, previu o espectáculo, e estragou a festa a Rocha Vieira, alguém que nunca lhe foi nada querido.

Os anos passam, Rocha Vieira revela que a bandeira ainda se encontra na mesma gaveta onde foi colocada, e surge Carlos Monjardino na novela.
A bandeira poderá ser colocada no Museu do Oriente, se tal lhe for solicitado.
Neste "se" reside toda a habilidade e sagacidade de Carlos Monjardino.
Quem é que lhe pode/deve solicitar esse favor?

Obviamente Cavaco Silva, actual Presidente da República.
Algo que Carlos Monjardino sabe perfeitamente que Cavaco nunca fará.
A bandeira serve como pretexto para mais um joguinho de política rasteira, com protagonistas conhecidos.
Um episódio nada edificante, algo pueril, e que deixa muito mal a imagem do País.
Sobretudo porque surge (não é por acaso...) em vésperas de se comemorarem os dez anos de transição de poderes.

Acerca do voto de agradecimento a Edmundo Ho




A Assembleia Legislativa da RAEM aprovou ontem um voto de agradecimento ao Chefe do Executivo pela competência, dedicação e visão com que geriu os destinos da RAEM nos últimos dez anos.



A proposta foi aprovada com os votos favoráveis de uma esmagadora maioria dos deputados, mas mereceu a abstenção  de Pereira Coutinho e os votos contra dos três deputados ditos "democratas".
Ao ver a reportagem televisiva ontem, e ao ler os jornais hoje, não consigo evitar uma sensação de profundo ridículo, de muita teatralidade e encenação.
E de mais um dia imensamente infeliz na Assembleia Legislativa.
O Chefe do Executivo teve, ao longo destes dez anos, um desempenho globalmente positivo.
Não é difícil reconhecer esse facto, assim como não é difícil reconhecer que cometeu alguns erros.
Algo de profundamente humano, e que Edmundo Ho é o primeiro a admitir.
Já aqui escrevi que não creio que o Chefe do Executivo tivesse o dever de elencar os erros todos que cometeu.
Do mesmo modo, não tinha que estar a enumerar todas as realizações do seu consulado.
Esses balanços devem ser feitos por terceiros, a seu tempo, depois de deixar passar a espuma das ondas.
E esse tempo não é claramente o actual.
Edmundo Ho foi um príncipe em Macau.
Com esta afirmação quero significar que, desde muito cedo, se percebeu que lhe estava reservada a tarefa de ser o primeiro Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial.
Muito em tributo ao seu pai, Ho Yin, e à acção que este desenvolveu enquanto líder da comunidade chinesa e elemento de ligação entre essa comunidade e a comunidade portuguesa.
Edmundo Ho foi assim educado e preparado, ao longo do tempo, para assumir o papel de líder de um Macau reintegrado no seio da grande China.
Obviamente com a benção das autoridades centrais.
E esse apoio das autoridades centrais, sentido antes da criação da RAEM,  foi fundamental para o bom desempenho da RAEM nestes dez anos.
E vai sê-lo no futuro também, até porque é um dado mais do que garantido.
Factos que Edmundo Ho não se cansa de repetir, mas que parece que ainda não foram bem apreendidos por muito boa gente.
A China fez questão de guardar alguns "rebuçados" para o pós-1999, as autoridades centrais apoiraram a RAEM, sobretudo nas áreas da economia e da segurança, algo que terá de ser considerado normal e perfeitamente compreensível.

Branquear ou obliterar esses factos é que é inaceitável.
As declarações de ontem na Assembleia Legislativa, variaram entre a pura bajulação (Fong Chi Keong, ou foi mal traduzido, ou parecia que estava a declamar os Lusíadas!!) e a demagogia e o populismo mais rasteiros (os "democratas" são, cada vez mais, uma mistura entre os velhinhos dos Marretas e os Três Estarolas!!).
Todo este cozinhado temperado com algumas pitadas a roçar o xenófobo.
Repito, Edmundo Ho teve um bom desempenho ao longo destes dez anos.
Cometeu erros pelo caminho, perdeu fôlego e entusiasmo no segundo mandato, e acaba desgastado, física e psiquicamente.
A comunidade portuguesa, em particular, tem de guardar de Edmundo Ho uma imagem muito favorável.
Edmundo Ho sempre respeitou a comunidade portuguesa, pôs travão a algumas derivas pseudo-patrióticas pós-99, criou um ambiente que foi sempre favorável a uma comunidade que lhe é cara e que claramente acarinha.
Foi um bom líder num período e num cenário complicado.
Com uma grande e preciosa ajuda das autoridades centrais.
E nunca pediu para lhe agradecerem.
Pelo menos que eu saiba....


26 de novembro de 2009

O Chelsea é melhor. Só isso.

Mourinho disse algo de muito semelhante após a derrota com o Barcelona anteontem.
E é assim mesmo quando as coisas são simples e nós não resolvemos ligar o "complicador".

O Chelsea é melhor que o Porto.
Repito o que já escrevi anterioremente - o Chelsea é a equipa mais experiente, mais sólida, mais sabida, fisicamente mais forte, orientada por um treinador também ele imensamente experiente, frio e calculista, que participa nesta edição da Liga dos Campeões.
Esses atributos, infelizmente, estiveram ontem todos presentes no Estádio do Dragão.
O Porto teve o domínio do jogo?
O Porto jogou o que o Chelsea deixou, e quando o Chelsea deixou.
E essa é uma das grandes qualidades da equipa de Ancelotti.
O Chelsea é uma equipa profundamente cínica.
Deixa o adversário jogar, entusiasmar-se, enquanto vai estudando o momento de dar a estocada.
Quando a dá, normalmente é mortífera.
Porque o Chelsea, se marca, muito dificilmente não ganha.
Qualidade que ainda se torna mais evidente quando se dispõe de um quadro de jogadores fabuloso, com uma imensidão de opções para todas as posições do campo.
O Porto não jogou mal (também não jogou bem...) mas não tem a estaleca da equipa inglesa.
E ainda não superou a ausência de Lucho e Licha.
O próprio Jesualdo parece ainda não ter encontrado um rumo concreto para a equipa.
Vai continuando a falar no processo, na consolidação do modelo, na evolução e na progressão, mas não se vê nada de muito concreto ou entusiasmante.
O Porto conseguiu o apuramento, que era o importante, mas sem qualquer brilhantismo (a crónica de O Jogo aqui http://www.ojogo.pt/25-279/artigo834624.asp ).
Foi bonita, e amplamente merecida, a recepção a Deco e a Ricardo Carvalho.

Com um Atlético de Madrid deprimente, e um Appoel sem qualquer qualidade, não era tarefa complicada.
Os espanhóis podem agradecer a Simão não estarem ainda a sofrer maior humilhação.
O golo do português permitiu o empate em Chipre, adiando para a última jornada a decisão de qual a equipa que transita para a Liga Europa.
Será, por certo, o Atlético (aqui http://www.ojogo.pt/25-279/artigo834643.asp).

Noutros jogos, o Real Madrid ganhou ao Zurique, saltou para o primeiro lugar do Grupo, Ronaldo finalmente voltou à competição, mas os merengues ainda não estão apurados (aqui http://www.ojogo.pt/25-279/artigo834640.asp ).

É que, em Milão, o Marselha jogou muito, merecia ganhar o jogo, e deixou tudo em aberto para última jornada (aqui http://www.ojogo.pt/25-279/artigo834644.asp ).
Os rossoneri não conseguem ser minimamente convincentes e competitivos, ao passo que os franceses, sob a batuta de Lucho (jogou e marcou), estão a dar uma imagem muito positiva nesta edição da Champions.
Reafirmo-o, as equipas francesas, quase em silêncio, é bem possível que se apurem todas para os oitavos-de-final da Champions (Lyon, Bordéus e Marselha).

O "Teatro dos Sonhos" nunca mais foi o mesmo desde que Cristiano Ronaldo foi actuar para outras paragens.
Ontem foi palco de um pesadelo.
Derrota com os turcos do Besiktas mercê de um golo solitário do ex-sportinguista Rodrigo Tello.
O Manchester, que já não perdia em casa desde 2005, não revelou capacidade para dar a volta ao resultado.
Sem Ronaldo, este Manchester não convence, muito menos entusiasma (aqui http://www.ojogo.pt/25-279/artigo834645.asp ).

O Manchester está apurado e o Wolfsburgo, de Ricardo Costa,  e o CSKA (ontem os russos ganharam) vão discutir a outra vaga.
O Besiktas, no entanto, ainda pode chegar à Liga Europa.
Mantenho a aposta - entre a beleza e espectacularidade do jogo do Barcelona, e o pragamatismo e a frieza do jogo do Chelsea, deve estar o vencedor desta Liga dos Campeões.
Há outras equipas a correr por fora, com o Real Madrid à cabeça, mas estas duas são mesmo exemplos de classe pura.
Cada uma à sua maneira, e muito como reflexo da personalidade dos técnicos que as comandam.


Um título pouco feliz


O Ponto Final apresenta hoje, na última página, um título muito pouco feliz - "Stanley Ho completa 88 anos no hospital".
Pois, o magnata do Jogo continua sob internamento hospitalar, salvo erro desde Agosto, e completou 88 anos de idade.
Era isto que se queria noticiar, não era?
Aconselha-se um pouco mais de cuidado para evitar títulos tão infelizes.
Votos de feliz aniverário e de rápido restabelecimento para o aniversariante.
E um puxão de orelhas ao Ponto Final.

Robin Williams on Letterman


Robin Williams esteve no Late Show de David Letterman para promover o filme Old Dogs que protagoniza com John Travolta.
O génio do actor americano, capaz de mudanças de ritmo, de personalidade, de voz, verdadeiramente estonteantes, esteve presente em todo o esplendor nesta entrevista.
Aqui http://www.youtube.com/watch?v=qTvMwA4Pq5s&feature=related a primeira parte com o link para a parte 2.
Fabuloso e com informação relevante.
Como é que seria possível saber que Sarah Palin, na escola, foi votada "least likely to write a book, but most likely to burn one", se não fosse através de Robin Williams no Late Show?
Mais, como é que poderíamos saber que o activista Bono Vox, vocalista dos U2, num concerto na Escócia, em momento de grande intimismo, terá dito, enquanto batia palmas de forma ritmada - "Every time I clap my hands, a elephant dies in Africa".
Só para ouvir um espectador gritar - "Then fucking stop clapping your hands you son of a bitch"!!!
Robin Williams diz de John Travolta aquilo que deve ser dito dele próprio - Ele é o equivalente humano de um panda!!
GENIAL!!!

25 de novembro de 2009

Telegrama de Mahmoud Ahmadinejad dirigido ao Conselho de Guardiões


Visita Brasil. stop
Irão não tem homosexuais. stop
Brasil tem veado, tem sapatão, tem swinger. stop 
Não é Brasília; é Sodoma e Gomorra! stop

Já sei onde largar primeira arma atómica, que não temos, nem estamos a tentar produzir. stop

Fui jantar com Lula. stop
Não (ic) bebi (ic) uma (ic) gota (ic) de (ic) alcoól (ic). stop
Só (ic) caipirinha (ic) e (ic) cachaça (ic). stop
Mahmoud (ic, ic, ic).


P.S. Vomitei em cima do Hugo Chávez

Liverpool fora da Champions


A nota de maior destaque dos jogos de ontem, vai exactamente para a eliminação precoce da equipa do Liverpool no Grupo E.
A equipa comandada por Rafa Bénitez (até quando, é a questão que agora se coloca), que já estava numa situação periclitante, apesar de ter cumprido a sua obrigação ao vencer em Budapeste um Debrecen que só pode ser um erro de casting nesta prova, viu-se afastada dos oitavos-de-final face ao triunfo da Fiorentina sobre o Lyon.

A conjugação de resultados não podia ser pior para os ingleses, ingloriamente relegados para a Liga Europa, enquanto que os franceses e os italianos seguem em frente.
Destaque natural para a turma "viola", pela primeira vez no seu historial a atingir uma fase tão adiantada na prova.
Em Anfield Road adivinha-se que a cabeça de Rafa Bénitez acabe por rolar.
A fazer um campeonato sofrível, com este desastre na Champions o espanhol não resistirá.
A equipa, que dispõe de craques como Torres, Gerrard, Kuyt, Lucas, não responde, não é competitiva, e Bénitez será por certo a vítima.
Quem também não acerta o passo é o Inter de Mourinho e Etoo, este último muito ovacionado em Camp Nou.
Suficiente para consumo interno, este Inter não convence na Europa.
E os tiffosi nerazurri já estão cansados só de vitórias internas.
Mourinho está a enfrentar em Itália o mesmo dilema que enfrentou em Inglaterra.
Quem contrata Mourinho, não quer vencer só competições internas; quer tudo!
Mas, se o Chelsea até dispunha de um plantel capaz de alimentar esse sonho, o Inter não o tem.
Mesmo que haja compras em Janeiro, e Mourinho é, por norma, avesso a muitas compras em Janeiro, será muito complicado construir uma equipa que ainda vá a tempo de se impor na Europa.
Isto dando de barato que o Inter e o Barcelona se vão apurar.

Contnuo a não acreditar que o Dínamo de Kiev e o Rubin Kazan possam fazer muito mais do que as cócegas que já fizeram.
Em Barcelona, em contraste, mora uma equipa de classe.
Quando é necessário, os meninos de Guardiola respondem presente.
Juntamente com o Chelsea, os meus favoritos para a vitória na Champions esta época.
O Real Madrid ainda tem que provar que tem estaleca para se bater com estes dois colossos.



Nos restantes jogos, destaque para a derrota do Sevilha, já apurado, na Roménia face a um surpreendente Urinea Urziceni.
Uma vez que os alemães do Estugarda foram vencer a Glasgow um decepcionante Rangers, os romenos e os alemães vão discutir no último jogo quem faz companhia aos espanhóis na próxima fase.
Com vantagem para os romenos.
Para já, a grande surpesa desta edição da Liga dos Campeões.

Finalmente, no Grupo H, o Arsenal já está apurado e o Olympiakos está a caminho.
Este sim, o único agrupamento a corresponder inteiramente ao que se esperava no início da prova.
Metade das equipas que passam aos oitavos-de-final já são conhecidas.
Hoje podem ficar a conhecer-se mais.
A ler aqui http://www.maisfutebol.iol.pt/liga-dos-campeoes/liga-dos-campeoes-champions-league-barcelona-inter-ao-vivo-maisfutebol/1105437-1491.html


Quando a vida imita a arte, que já tinha imitado a vida

São três histórias interligadas.

Mehram Karimi Nasseri, refugiado iraniano, viveu no Terminal I do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, entre Agosto de 1988 e Julho de 2006.

Baseado na sua saga, Steven Spielberg, em 2004, decidiu filmar The Terminal, uma comédia dramática onde pontificavam Catherine Zeta-Jones e um fantástico Tom Hanks.

Em 2009, no Aeroporto de Narita, Tóquio, Feng Zhenghu, natural de Xangai, de 55 anos de idade, está a viver um episódio em tudo semelhante aos dois primeiramente descritos.
Tendo-lhe sido barrada a entrada na República Popular da China, o activista chinês, que esteve preso três anos por conduzir "negócios ilegais", vive no Aeroporto de Narita, alimentando-se com a comida e bebidas que os passageiros dos vários voos lhe oferecem, e dormindo num sofá junto ao sector de Imigração.
Desde 4 de Novembro, Feng Zhenghu foi impedido de embarcar com destino a Xangai por quatro vezes.
Noutras quatro ocasiões, foi autorizado a embarcar, apenas para ver barrada a sua entrada em solo chinês à chegada ao Aeroporto de Pudong, em Xangai.
Feng recusa-se a permanecer no Japão, alegando que não tem motivos para tal, as autoridades japonesas não podem legalmente impedir que permaneça no terminal do aeroporto, as autoridades chinesas não permitem a sua entrada no país, e Feng vai vivendo neste limbo e construindo mais um romance vivo a merecer acompanhamento futuro (a notícia aqui http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/11/13/ult1859u1852.jhtm ).
Ao ler a notícia, e ao ver a reportagem televisiva da Reuters, fiquei a imaginar a existência de um Stanley Tucci japonês a tentar ludibriar Feng, utilizando uma série de artimanhas, para este entrar em Tóquio e assim colocar um ponto final neste embaraço.
Será que também há uma Catherine Zeta-Jones nesta história?

24 de novembro de 2009

Evolução na tranquilidade



Sem surpresas, sem novidades, apenas a confirmação das notícias que vinham sendo dadas à estampa há já alguns dias.
A equipa governativa que vai tomar posse no próximo dia 20 de Dezembro apresenta apenas uma curiosidade.
Ho Veng On passa a ser o novo Comissário de Auditoria, substituindo Fátima Choi no cargo.
Os restantes titulares dos principais cargos foram todos reconduzidos (a notícia aqui via GCS http://www.gcs.gov.mo/showNews.php?PageLang=P&DataUcn=41320&Member=0 ).
Cheong U substitui Chui Sai On no cargo de super-secretário, e Vasco Fong, dias depois de ter tomado posse como juíz do Tribunal de Segunda Instância, passa a ser o novo Comissário Contra a Corrupção.
Tudo muito normal, muito dentro do esperado, sem qualquer inovação ou arrojo.
As caras são conhecidas há já muitos anos.
E não, não é só nos últimos dez.
Já é tempo de assumir de uma vez por todas que se trata de pessoas que já ocupavam altos cargos na administração portuguesa.
Não são nenhuns novatos, desconhecidos e inexperientes.
Essa já não cola.
A continuidade é uma opção legítima, mas não deixa de constituir algum desapontamento, e de ir em sentido contrário ao que foi o discurso dos primeiros anos da RAEM.
O encantamento singapureano, e os conceitos de mudança, inovação, criatividade, deram lugar a uma continuidade baseada nos conceitos de harmonia e paz social.

Precisamente por isso, o afastamento de Fátima Choi, que a própria já veio esclarecer que não se deveu a opção própria, levanta questões e obriga ao franzir de sobrolhos.
Sentimentos que a conferência de imprensa do Chefe do Executivo eleito, a ausência de respostas concretas, a somar às declarações da ainda Comissária de Auditoria, ainda vieram adensar.
Fica a pairar a ideia que as críticas que o Comissariado de Auditoria teceu aos Jogos da Ásia Oriental não foram muito bem recebidas, e que Fátima Choi foi vítima desse facto.
Sim, porque críticas públicas ao desempenho de outros titulares existiram, foram muitas, e não tiveram consequências.
Não pode passar por aí, portanto, a explicação para o afastamento de Fátima Choi.
Não foi porque a popularidade da Comissária era baixa que não foi reconduzida.
A ser assim, não seria a única baixa na actual equipa governativa.
As declarações das "três caras novas" (mudaram de cadeira) aqui http://www.gcs.gov.mo/showNews.php?PageLang=P&DataUcn=41322&Member=0


As escutas dos outros


Novo escândalo ligado a apostas desportivas, envolvendo jogos de futebol, ensombra a Europa.
Já há nove detidos em Itália, entre os quais o presidente do Potenza, clube da III Divisão italiana.
Giuseppe Postiglione, que já se tinha tornado famoso por ser o mais jovem presidente de um clube no futebol italiano (conquistou a presidência do Potenza com 24 anos), está agora detido por suspeitas de falsificação de resultados, apostas ilegais e ligações ao crime organizado (a notícia aqui http://www.maisfutebol.iol.pt/italia/italia-potenza-calciocaos-apostas-ilegais-fraude-maisfutebol/1105218-1489.html ).

As últimas notícias dão conta de uma investigação que envolve dez campeonatos europeus, entre os quais, felizmente, não se encontra o português.
Lendo que o presidente do Potenza é acusado de, desde 2007, ter lucrado 86000 euros graças ao seu envolvimento neste esquema de apostas ilegais, e que o processo terá tido origem em escutas telefónicas, que, ocasionalmente, terão revelado este esquema tentacular, quando estavam em investigação outros factos, não posso de deixar de sorrir.
Realmente vivemos num Mundo globalizado, cada vez mais pequenino, e cada vez mais cheio de semelhanças.
Escutas telefónicas, que, por acaso, conduzem a outros factos.
Onde é que já ouvimos algo de muito semelhante?
É isso! Mas estas não foram para o lixo...
Presidente do Potenza, da III Divisão italiana, que recebe, desde 2007, 86000 euros, num esquema de mega-corrupção.
Auxiliar que, ao longo de mais de dez anos, é suspeito de ter recebido, indevidamente, mais de cinco mil patacas de subsídio de família.
Não soa muito familiar e muito semelhante?
Já todos ouvimos falar  no Portugal dos Pequenitos.

O Mundo também é tão pequenino, não é?